11 de dezembro de 2010

Duas vias

Ela estava confortável com a vida que levava. Estava, em uma das poucas vezes da sua vida, dando uma chance para que seu coração amasse e estava feliz com essa decisão. Sentia que era um indício de que estava com coragem suficiente para assumir e para aceitar alguém em sua vida.
No entanto, perguntava-se sempre “seria tal pessoa merecedora de todo esse mérito?”. E cada vez que se questionava, a resposta (não imediata) era não. Tentou arrumar motivos de todos os lados para continuar com tal indivíduo, mas sua criatividade esgotava-se. E o que estava ficando em sua memória eram apenas os momentos iniciais, como boas lembranças – verdadeiros retratos de felicidade plena, mas passageiros.

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Em um belo dia (a estilo romântico) encontra alguém que lhe balança o coração novamente tão ou mais que seu atual companheiro. Sim, este segundo reavivou seus sentimentos.
Ele deu-lhe momentos de risadas, momentos verdadeiros e, talvez certa reciprocidade quanto ao que sente. Além de dar-lhe experiências novas!
Quando ela não está atarefada, ou antes de dormir, pega-se pensando nele.
Ele reacendeu nela a vontade de viver com alguém. Mas, de forma diferente do primeiro: com este, ela se sente mais humana, mais mulher do que antes e mais segura de si.

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Não sabe mais o que fazer, pois ainda está com o primeiro, em uma relação aparente, morna e vazia, porém tem medo de colocar um fim e descobrir, depois, que foi em vão.
Recorda-se de seu passado, onde sempre teve receio de doar-se a alguém, nunca soube o que é amar de verdade.
Contudo, agora se pergunta se sabe o que é esse amor. Não tem respostas, pois como pode estar com dois e em certo sentido amar (sentir um carinho) momentos vividos com ambos?
Enfim, decide-se pelo segundo, mas não consegue simplesmente, enxotar o primeiro: com ele houve momentos felizes também.
O que fazer? Ela não sabe. Continuará com essa dúvida, pois antes de tudo ela quer amar e ser correspondida.

Inspirado na crônica: “Entre dois amores” de Rubem Alves

30 de outubro de 2010

Deus ou o diabo? Tá mais para vampiro e bruxa velha!

Dedico mais um espaço à questão sobre as eleições e um pouco mais de meu tempo!
Acredito que há pessoas melhores que eu para dizer o quanto essa disputa presidencial mostrou-se baixa. Foi um tal de atacar o adversário, de expor sua vida privada e de taxar o outro de "Mau!
A discussão a cerca do aborto é um bom exemplo de quanto a disputa foi maniqueísta. Ressaltando que estamos em um país democrático e laico.
Fora que a mídia esse ano mostrou claramente o seu poder de persuasão e empresa de papel virou até terrorista!
Só quero dizer que não queremos saber quem foi o terrorista do passado ou não; e sim queremos saber quais os planos para a educação, visto a precarização e a falta de importância dada ao tema. Queremos ouvir mudanças concretas a serem realizadas na saúde, queremos ouvir para que servirá o 'pré-sal' e se atenderá uma necessidade dos brasileiros de fato. Queremos ouvir se a Amazônia é nossa realmente e acima de tudo queremos um governo para a população e não para parcela dela.
Domingo (31/10) está aí. E usando o velho jargão: "Vote consciente", não importa se no vermelho, no azul ou mesmo no branco o importante é ter certeza do se está fazendo - ter um motivo concreto para tal voto.
E a moda estadunidense: feliz Dia das Bruxas!

8 de outubro de 2010

Dizes-me: tu és mais alguma coisa

A poesia acalma e nos faz ver que não somos os únicos que pensamos de determinada forma.


Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?
Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:
Só me obriga a ser consciente.
Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.
Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.
Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.
Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, «é uma pedra»,
Digo da planta, «é uma planta»,
Digo de mim «sou eu».
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro


Junto com o poema posto o link da interpretação deste que achei ótima:

3 de outubro de 2010

Meu Brasil brasileiro

Eleição 2010: Vote e demonstre o quanto cidadão você é! Isso, se souber o que é cidadania, se souber que são seis números a serem escolhidos e se souber que, neste país, é a única hora que o povo pode ter "voz". As vezes esta "voz" sai a força, claro! As palavras que saem da boca de muitos brasileiros são apenas repetições do que lhes mandaram dizer - é, infelizmente essa ainda é uma realidade.
Hoje, fui votar e fiquei perplexa, havia um senhor na minha frente que digitou os números para deputado estadual e já ia saindo, depois foi constatado que ele estava bêbado. É este o eleitor do Brasil? Você vai lá e nem sabe aonde está muito menos o que está fazendo lá.
Dia de eleição é dia de encontrar conhecidos, é dia de churrasco, é praticamente um feriado e esquece esse negócio de saber a fundo sobre o candidato, esquece esse negócio de exercer a "liberdade". É dia de diferenciar dois tipos de pessoas: as que falam "Droga, o que estou fazendo aqui?!" e as que dizem "No final, isso não vai mudar em nada a minha vida!". E muitas vezes elas estão corretas em pensar assim, pois a política atual se mostra um verdadeiro circo, vide as campanhas todas deste ano e toda a demagogia que as envolveu.
E rumo ao Segundo Turno!

9 de setembro de 2010

Metalinguagem

Não escrevo bem, tenho consciência disso. Talvez falte recursos ortográficos, talvez um pouco mais de conteúdo para aprimorar minhas ideias.
O fato é: meu último texto deixou a desejar e sei disso, contudo as pessoas o leem!Como?
Por isso gosto da internet, não sou uma escritora, uma famosa, muito menos inteligente e mesmo assim escrevo e coloco na rede!Quem quiser perder seu tempo lendo que perca!É fantástico isso!!

Penso - a internet é uma ferramenta social, pois as pessoas compartilham arquivos e mais do que isso, compartilham conceitos, indagações. Nunca estamos sozinhos quando estamos "online". Temos acesso a álbuns de bandas que nunca ninguém ouviu falar, nem mesmo o mais sabichão.Encontramos todos os livros, basta procurar. Sim, isso é fantático! - essa parte foi um devaneio sem nexo de alguém que não tem o que fazer...

Ainda continuo com a minha teimosia; sou uma relis mortal que tenta fazer algo de útil para passar seu tempo. Atualmente, penso em escrever, apesar de estar descobrindo que não nasci para isso.

28 de agosto de 2010

O tema é clichê,mas é tão bonito...

Ah sim!Amar é uma palavra tão forte e de sentido tão profundo utilizada por tantos poetas, músicos, escritores. Tantos já a tentaram descrever,contudo ela sempre vem a tona quando menos se espera. Talvez porque seja individual e só a pessoa que o sente tem a audácia de escrever sobre.
Quero começar citando aqueles que têm medo de amar, ou um simples receio de se entregar a esse sentimento. São aversivos a ele, não o citam, não assumem nenhum compromisso (e aqui pode ser com qualquer pessoa em toda relação social possível). Estas pessoas acabam por tornarem-se improdutivas e estáticas, não vivem. São inférteis no sentido de passarem pelo mundo sem serem percebidas.
O amor (agora tentado descrevê-lo) pode ser simplesmente uma maneira de chamar a atenção, sendo apenas uma relação de interesse e assim possuir pessoas que irão chorar ao lado do caixão. O amor pode ser confuso, impreciso, não ter objeto amado, mas mesmo assim estar presente. Ele pode ser momentâneo: "Gosto de você agora, mas amanhã não mais!". Ele pode ser por uma vida inteira e prolongar-se pela morte. Ele pode ser austero, mandão e repleto de jogos ardilosos. Pode ser cheio de antíteses e parodoxos, como descreveu Vinícius de Morais. Pode ser irracional, descontrolado e incompreensível, porém espontâneo e pode por uma vida toda ser procurado pelas pessoas que anseiam em amar.
No entanto, com todos esses "amores": alguns muito comuns e outros peculiares, há pessoas que esquecem de amar. Por quê? Existe algum defeito genético, uma má formação ou algum trauma de infância - quem sabe?  Insensíveis fazem da outra pessoa brinquedo de distração, sendo que ganham como prêmio o repúdio a própria vida. Perdem o próprio amor! E ainda pensam que sabem viver com isso, quando não entendem nada do que se passa! São verdadeiros procrastinadores!
Amor não é algo comum como pensam muitos, contudo é simples de ser entendido. Não precisa de explicações, apenas de um sujeito e um objeto; e desculpe a gramática normativa, mas ele não precisa de um verbo transitivo ou de ligação, basta dois substantivos.
Aqui acrescento: amar não é complicado, é apenas ser. E paro por aqui, pois ficará extremamente sentimental (ou mais do que já esta) e não combina comigo.



Não sei se o Paraíso existe, mas sei que, atualmente, possuo o meu!

20 de julho de 2010

Estréia

Fazer um blog pode estar na moda, muitos podem pensar: "É fácil, apenas faça o login!", mas escrever para pessoas ou antes, escrever para si próprio (ou que seja postar uma imagem) não é tão fácil quanto parece. Esse diário quer significados, quer que você lhe fale algo realmente adicionável, não fale de sua vida apenas pelo bel-prazer de falar, mas para mostrar que sua vida é importante e pode servir para algo ou alguém.
Ele não quer que fale do mundo se nem ao menos sabe o que acontece, não fale de notícias se apenas as vê pela TV!!, não fale de família se nem sabe o que é isso, não fale de política e nem de religião se não mudou pelo menos uma vez na vida de lado, não fale de futebol se nunca fez pilhéria com o time adversário, não fale de amizade se nunca levou uma bronca de alguém além de parentes, não fale de amor se nunca sofreu por sentí-lo ou não sentí-lo, não fale de salvar o meio ambiente se nunca plantou uma árvore, não fale de ajudar aos pobres se não consegue ajudar a si mesmo, não fale de morte se não gostar (mas fale sempre que necessário), não fale de culpas se nunca admitiu suas próprias, não fale de inimigos se realmente não foi atingido por eles, não fale de fantasias se nunca imaginou algo bizarro acontecendo, não fale de sentidos se pensa que o que sente é verdadeiramente certo, não fale de bichinhos de estimação se nunca sofreu em fazer a eles algo que não queria mas que foi obrigado a fazer, não fale de internet se nunca pensou: "ela é uma forma de conectar-me ao mundo inteiro!", não fale de tecnologia se não entende que quem a cria é um homem como você, não fale de inteligência se não há como definí-la, não fale mau do racismo pois seria hipocrisia, não fale de ética se sua cabeça é apenas uma massa cinzenta, não fale de filosofia se nunca disse para si que livros filosóficos são chatos de ler e entender, não fale de trabalho se nunca nem sequer transpirou, não fale de socialismo se é para falar o que a mídia expõe, não fale de capitalismo se já está hipnotizado por ele, não fale de realidade se nunca saiu de sua casa, não fale de música se nunca procurou além do que o rádio toca, não fale de moda se a segue, não fale de psicologia se acha que é semelhante a astrologia, não fale de ciência se não souber que quem a faz é um homem,não fale de cultura se não falar de história, não fale de educação adequada se nunca foi um exemplo, por fim não fale de mim pois não me conhece.
Neste blog, tentarei falar da maioria das citações acima e do que eu não falei, mas não posso falar de tudo, pois se pudesse minha vida já seria uma eterna chatice!
Bem-vindos!!