Ela estava confortável com a vida que levava. Estava, em uma das poucas vezes da sua vida, dando uma chance para que seu coração amasse e estava feliz com essa decisão. Sentia que era um indício de que estava com coragem suficiente para assumir e para aceitar alguém em sua vida.
No entanto, perguntava-se sempre “seria tal pessoa merecedora de todo esse mérito?”. E cada vez que se questionava, a resposta (não imediata) era não. Tentou arrumar motivos de todos os lados para continuar com tal indivíduo, mas sua criatividade esgotava-se. E o que estava ficando em sua memória eram apenas os momentos iniciais, como boas lembranças – verdadeiros retratos de felicidade plena, mas passageiros.
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Em um belo dia (a estilo romântico) encontra alguém que lhe balança o coração novamente tão ou mais que seu atual companheiro. Sim, este segundo reavivou seus sentimentos.
Ele deu-lhe momentos de risadas, momentos verdadeiros e, talvez certa reciprocidade quanto ao que sente. Além de dar-lhe experiências novas!
Quando ela não está atarefada, ou antes de dormir, pega-se pensando nele.
Ele reacendeu nela a vontade de viver com alguém. Mas, de forma diferente do primeiro: com este, ela se sente mais humana, mais mulher do que antes e mais segura de si.
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Não sabe mais o que fazer, pois ainda está com o primeiro, em uma relação aparente, morna e vazia, porém tem medo de colocar um fim e descobrir, depois, que foi em vão.
Recorda-se de seu passado, onde sempre teve receio de doar-se a alguém, nunca soube o que é amar de verdade.
Contudo, agora se pergunta se sabe o que é esse amor. Não tem respostas, pois como pode estar com dois e em certo sentido amar (sentir um carinho) momentos vividos com ambos?
Enfim, decide-se pelo segundo, mas não consegue simplesmente, enxotar o primeiro: com ele houve momentos felizes também.
O que fazer? Ela não sabe. Continuará com essa dúvida, pois antes de tudo ela quer amar e ser correspondida.
Inspirado na crônica: “Entre dois amores” de Rubem Alves